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Radar VAAS · 19/10/2026

# Radar VAAS | Edição #2

Reguladores com mais dados, orçamento e IA, novo SAC em 20 dias e Coaf com regras para nuvem: sete notícias da semana para quem trabalha com compliance.

![Simone Vollbrecht](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/magnific__foto-da-simone-de-frente-em-fundo-branco-remove-o-__36718.png?width=48&height=48&name=magnific__foto-da-simone-de-frente-em-fundo-branco-remove-o-__36718.png)

Simone Vollbrecht

Head de Compliance da VAAS

11 min de leitura

CGU encontrou 2,7 mil vínculos entre parlamentares e entidades que executaram emendas. A fraude online no cartão caiu 36,5% com autenticação forte e monitoramento em tempo real.

A supervisão ganha fôlego: o PLOA 2027 prevê mais verba para BC e CVM, e a CVM quer IA vigiando negociações até o fim do ano. Nas regras, o Coaf define como usar nuvem e IA com dados sensíveis, e o novo SAC chega a bancos e fintechs. A CVM também analisa 52 contribuições para reformar o crowdfunding.

Separei o que você precisa saber.

## Notícias da semana:

### Emendas sob lupa: CGU mapeia 2,7 mil laços entre parlamentares e entidades

![](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/undefined-4.png?width=1200&height=630&name=undefined-4.png) 

A Controladoria-Geral da União (CGU) identificou 2,7 mil vínculos entre parlamentares e entidades sem fins lucrativos que executaram emendas. A auditoria analisou convênios ligados a mais de 15 mil emendas de 2020 a 2025. O resultado foi revelado pelo Metrópoles em 16/10/2026.

**O contexto.** A auditoria cumpre determinação do ministro Flávio Dino, do STF, sobre transferências voluntárias. A CGU mapeou vínculos familiares, de emprego, societários e cadastrais em bases do governo. A busca considerou até quatro intermediários entre o parlamentar e a entidade.

**O que o relatório mostra.** Dos 13 mil assessores parlamentares analisados, mais de 5 mil têm vínculo com ao menos uma entidade que recebeu emendas. Entre as empresas contratadas com recursos de 2025, 80% não tinham funcionários registrados no e-Social. Outras 4,1 mil empresas pagas com emendas tinham até 50 funcionários.

**Os limites.** O relatório ressalta que a existência de vínculo não caracteriza irregularidade. A CGU não detalha os casos e aponta a "oportunidade de realização de análises individualizadas". A coluna cita casos recentes de emendas destinadas a ONGs ligadas a parentes de parlamentares e de assessores.

**Destaques**

- 2,7 mil vínculos mapeados em até 4 camadas de intermediários
- Mais de 15 mil emendas auditadas, de 2020 a 2025
- Mais de 5 mil dos 13 mil assessores ligados a entidades que receberam emendas
- 80% das empresas contratadas em 2025 sem funcionários no e-Social

**Por que importa:** é um caso concreto de cruzamento de bases para revelar partes relacionadas e empresas sem substância. É o que um bom KYC, KYS e a análise de PEPs precisam enxergar antes do pagamento.

[Leia no Metrópoles](https://www.metropoles.com/colunas/tacio-lorran/cgu-faz-devassa-em-emendas-e-descobre-vinculos-entre-ongs-e-parlamentares)

### Autenticação forte derruba a fraude no e-commerce para 34,5 pontos-base

![](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/undefined-Oct-16-2026-07-51-21-4465-PM.png?width=1200&height=630&name=undefined-Oct-16-2026-07-51-21-4465-PM.png) 

A fraude em compras online com cartão caiu de 54,4 para 34,5 pontos-base entre o 3º trimestre de 2022 e o de 2025. O dado é do Monitor de Fraudes da Abecs, noticiado pelo Let's Money em 13/10/2026. No mesmo período, os pagamentos com cartão cresceram mais de 20%.

**Como se mede.** O índice divide o valor fraudado pelo valor das transações aprovadas e multiplica por 10 mil. Por ocorrência, a fraude online caiu 32,4%, de 52 para 35 casos por 100 mil operações. O índice geral recuou de 12,8 para 9,8 pontos-base, queda de 23,8%.

**O que explica a queda.** A Abecs atribui a melhora principalmente à autenticação reforçada. Também pesam a tokenização, o 3DS 2.0 e sistemas de prevenção com IA que monitoram o uso em tempo real. "O uso dos cartões de crédito e débito continua sendo a maneira mais segura de se realizar pagamentos no Brasil", diz Ricardo de Barros Vieira, vice-presidente executivo da Abecs.

**O ponto de atenção.** A loja física segue estável em 1,2 ponto-base, bem abaixo dos 34,5 do online. Cada camada extra de segurança pode elevar a recusa e reduzir a conversão. A matéria sugere divulgar a taxa de aprovação junto com o índice de fraude.

**Destaques**

- Online: de 54,4 para 34,5 pontos-base (queda de 36,5%)
- Geral: de 12,8 para 9,8 pontos-base (queda de 23,8%)
- Tíquete médio da fraude: R$ 263,50 (online R$ 258,74; presencial R$ 322,16)
- Dados até o 3º trimestre de 2025, sem índice novo em 2026

**Por que importa:** autenticação forte e monitoramento em tempo real reduzem fraude mesmo com o volume crescendo. O desafio é calibrar os controles para não travar o cliente legítimo.

[Leia no Let's Money](https://www.letsmoney.com.br/noticias/abecs-fraude-cartao-compra-online-36-5/)

### Orçamento de 2027 reforça o caixa da supervisão no BC e na CVM

 ![](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/undefined-Oct-16-2026-07-51-33-6584-PM.png?width=1200&height=630&name=undefined-Oct-16-2026-07-51-33-6584-PM.png) 

O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 aumenta o aporte para quem fiscaliza o sistema financeiro. O projeto foi enviado ao Congresso em 31/08/2026, e a Exame / Esfera Brasil detalhou os valores em 09/10/2026. Banco Central, CVM e Coaf aparecem entre os beneficiados.

**Os números.** A CVM terá cerca de R$ 240 milhões a mais do que em 2026. Desse total, aproximadamente R$ 100 milhões vão para normatização e fiscalização. No BC, a supervisão do Sistema Financeiro Nacional passa de R$ 273,8 milhões para R$ 359,1 milhões.

**O contexto.** Humberto Aillon, professor da Fipecafi, liga o debate ao aumento das recuperações judiciais. Ele também cita a participação do crime organizado em fundos de investimento e fintechs. Aillon defende tecnologia, cruzamento de dados e IA para uma supervisão preventiva, com metas e transparência.

**Próximos passos.** O texto ainda pode receber emendas e passa pela Comissão Mista de Orçamento (CMO). Depois vai ao plenário do Congresso e só então à sanção presidencial.

**Destaques**

- CVM: cerca de R$ 240 milhões a mais, com R$ 100 milhões para normatização e fiscalização
- BC: supervisão do SFN de R$ 273,8 milhões para R$ 359,1 milhões
- Coaf citado como beneficiado, sem valor divulgado na matéria
- Tramitação: CMO, plenário do Congresso e sanção

**Por que importa:** mais orçamento para supervisão significa mais capacidade de fiscalizar. Sua instituição precisa estar pronta para demonstrar controles com evidência.

[Leia na Exame](https://exame.com/esferabrasil/governo-propoe-aumento-no-orcamento-de-instituicoes-responsaveis-por-fiscalizacao-financeira/)

### Dados do Coaf na nuvem: liberados com homologação, vetados para treinar IA

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A Portaria Coaf nº 51/2026 instituiu uma nova Política de Segurança da Informação e Comunicações (Posic) e revogou a de 2021. A Convergência Digital noticiou a mudança em 09/10/2026. O Coaf passa a admitir o tratamento de informações em ambientes de terceiros, sob condições.

**O que muda.** A regra de 2021 exigia tratar as informações em ambiente "provido pelo órgão". Agora valem "ambientes autorizados", próprios ou de terceiros, físicos ou lógicos. Cada um precisa de avaliação de risco e homologação formal pelo Coaf.

**As exigências.** A homologação considera garantias de confidencialidade, integridade, disponibilidade e segregação, na proporção da criticidade. O terceiro não pode reter os dados após o processamento nem usá-los para treinar ou aperfeiçoar modelos. A portaria também exige reversibilidade e rastreabilidade.

**O que a portaria não faz.** Ela não exige infraestrutura estatal nem proíbe nuvens comerciais. Também não exige dados em território brasileiro. O texto não informa quais provedores já foram homologados.

**Destaques**

- Portaria Coaf nº 51/2026 revoga a Posic de 2021
- Ambientes de terceiros só com avaliação de risco e homologação formal
- Proibidos: retenção após o processamento e uso para treinar modelos de IA
- Sem exigência de dados em território brasileiro

**Por que importa:** o próprio Coaf define um padrão de governança para nuvem e IA com dados de inteligência financeira. É uma boa régua para avaliar qualquer fornecedor de tecnologia que toque seus dados de PLD/FT.

[Leia na Convergência Digital](https://convergenciadigital.com.br/governo/coaf-libera-nuvem-de-terceiros-e-proibe-uso-dos-dados-para-treinar-inteligencia-artificial/)

### Atendimento humano todos os dias: novo SAC alcança bancos e fintechs em 20 dias

 ![](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/undefined-Oct-16-2026-07-51-54-3412-PM.png?width=1200&height=630&name=undefined-Oct-16-2026-07-51-54-3412-PM.png) 

O Decreto nº 13.135/2026, assinado em 09/10 e publicado no DOU de 13/10, substitui o Decreto nº 11.034/2022. Segundo o Let's Money, ele inclui expressamente serviços financeiros, de pagamento e de crédito digitais no SAC. A vigência começa em 02/11/2026, 20 dias após a publicação.

**O que muda no atendimento.** O atendimento humano passa a valer das 8h às 20h, sete dias por semana. A espera telefônica deve ser de até 20 segundos em 80% das demandas e até 300 segundos nas demais. Cada demanda pode ter no máximo cinco níveis de atendimento.

**Cobrança, IA e registros.** Cobranças indevidas devem ser suspensas em até 48 horas. A IA é permitida na triagem, desde que o acesso humano seja preservado. Mensagens de voz e texto ficam guardadas por 90 dias, e o histórico das demandas, por seis meses após a resolução.

**O que muda para cada um.** Bancos, emissores de cartão, IPs e financeiras entram nas relações de consumo. PSAVs que atendem consumidores diretamente também podem ser alcançados. Contratos entre credenciadoras e lojistas ficam, em princípio, de fora. "Não será suficiente disponibilizar um atendente que apenas registre a reclamação", diz a advogada Bárbara Oliveira da Silva.

**Destaques**

- Decreto nº 13.135/2026, no DOU de 13/10, revoga o Decreto nº 11.034/2022
- Vigência em 02/11/2026: 20 dias de adaptação, contra 180 na regra anterior
- Atendimento humano das 8h às 20h, 7 dias; espera de até 20 s em 80% das demandas
- Sanções da Senacon, com multas do CDC

**Por que importa:** com prazo curto, bancos, IPs e fintechs precisam priorizar os ajustes agora. As regras ainda precisam ser conciliadas com as normas do CMN e do BC sobre atendimento e ouvidoria.

[Leia no Let's Money](https://www.letsmoney.com.br/noticias/novo-decreto-sac-bancos-fintechs/)

### Crowdfunding em revisão: o que pedem as 52 manifestações enviadas à CVM

![](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/undefined-Oct-16-2026-07-52-11-5875-PM.png?width=1200&height=630&name=undefined-Oct-16-2026-07-52-11-5875-PM.png) 

A Consulta Pública SDM 05/2025 da CVM, encerrada em janeiro, recebeu 52 manifestações sobre a reforma do crowdfunding de investimento. A proposta substitui a Resolução CVM 88, de 2022, e segue em análise na autarquia. O tema foi tratado em conteúdo de marca da CrowdTech publicado no Valor em 13/10/2026.

**O que a consulta mostra.** Um levantamento da CrowdTech contou 34 manifestações sobre limites das ofertas, 32 sobre securitização e 31 sobre informações financeiras e divulgação. Outras 30 comentaram mecanismos de liquidez, e 22 citaram tokenização. Os números indicam a frequência dos temas, não apoio a uma mesma solução.

**O ponto de maior tensão.** A expansão das ofertas lastreadas em recebíveis colocou as securitizadoras e a Resolução CVM 60 no centro do debate. Parte dos participantes defende um regime proporcional para operações menores. Outra parte alerta contra fracionar operações, concentrar risco em um mesmo devedor ou afastar controles de registro e governança.

**O que muda na minuta.** A proposta inclui produtores rurais e cooperativas agropecuárias, amplia limites de captação e admite intermediários tradicionais na distribuição por conta e ordem. A CVM parte de um princípio: usar DLT não reduz as obrigações nem a responsabilidade da plataforma. A versão final ainda não foi publicada.

**Destaques**

- Consulta Pública SDM 05/2025: 52 manifestações, encerrada em janeiro
- A nova norma deve substituir a Resolução CVM 88/2022
- Temas mais citados: limites (34), securitização (32), divulgação (31) e liquidez (30)
- Tokenização em 22 manifestações, sem redução de obrigações

**Por que importa:** mais emissores e canais de distribuição aumentam a exigência de identificar o investidor e rastrear cada operação. Plataformas e intermediários precisam de controles de PLD e trilhas de auditoria prontos para a regra final.

[Leia no Valor](https://valor.globo.com/patrocinado/pulse-brand/noticia/2026/10/13/o-que-52-contribuicoes-a-cvm-revelam-sobre-o-futuro-do-crowdfunding-no-brasil-1.ghtml)

### Data lake e IA: a CVM quer flagrar negociações suspeitas ainda em 2026

![](https://radar.vaas.com.br/hs-fs/hubfs/undefined-Oct-16-2026-07-52-29-7132-PM.png?width=1200&height=630&name=undefined-Oct-16-2026-07-52-29-7132-PM.png) 

O presidente da CVM, Otto Lobo, anunciou um sistema de supervisão com IA para o fim de 2026. O anúncio foi feito em 08/10, em evento da CVM na FGV, em São Paulo. O Let's Money publicou a matéria em 13/10/2026.

**O plano.** A primeira fase cria um data lake que reúne registros de várias instituições. A CVM vai testar ferramentas de IA já usadas no exterior, com operação 24 horas e apoio de ANCORD, ANBIMA e ABRASCA. Para Lobo, a CVM "não pode mais supervisionar o mercado como fazia antes".

**Supervisão e PLD.** Hoje, reconstituir uma operação suspeita pode levar meses ou anos de pedidos a cada instituição. O sistema mira negociações circulares entre partes relacionadas e negócios fora de bolsa pouco claros. Também busca sinais de distorção de preços.

**O que vem depois.** A segunda fase, sem data, usa DLT para acompanhar operações em tempo real. Debêntures e fundos tokenizados teriam regras embutidas, como teto de negociação, suitability e rotinas de PLD. Em 15/09, o GTT entregou ao Colegiado a minuta do piloto de tokenização, com testes de 60 dias prorrogáveis por 30.

**Destaques**

- Fase 1 até o fim de 2026: data lake e IA operando 24 horas
- Apoio de ANCORD, ANBIMA e ABRASCA
- Alvos: negociações circulares, negócios fora de bolsa e distorção de preços
- Fase 2 sem prazo: controles de PLD embutidos em ativos tokenizados

**Por que importa:** o regulador vai enxergar padrões quase em tempo real. Corretoras, distribuidoras e emissores podem ter de embutir controles de conformidade nos próprios produtos.

[Leia no Let's Money](https://www.letsmoney.com.br/noticias/cvm-ia-fiscalizacao-negociacoes-suspeitas/)

## Em resumo

A semana mostrou reguladores com mais dados, mais orçamento e mais IA para enxergar o risco cedo. Do outro lado, controles bem calibrados já derrubam a fraude online, e novas regras chegam com prazos curtos. No fim, o que separa quem lidera de quem apanha é a capacidade de detectar, provar e se adaptar na velocidade em que o risco aparece.

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